Pandemia prejudicou desenvolvimento das crianças, alertam especialistas

Segundo Unicef, primeira infância foi impactada pelo aumento da pobreza e pela suspensão dos serviços escolares e de saúde materna

Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Pedro Hartung: pandemia agravou a insegurança alimentar nas famílias

Apesar de estarem entre as pessoas menos afetadas pelo novo coronavírus, no que diz respeito aos casos graves e à mortalidade, as crianças de 0 a 6 anos também foram profundamente impactadas, em diversas áreas, pela pandemia de Covid-19.

Essa foi uma das conclusões dos participantes de audiência pública da Comissão Externa sobre Políticas para a Primeira Infância, que discutiu nesta segunda-feira (18) o retrato atual da primeira infância no Brasil.

Diretor de políticas e direitos das crianças do Instituto Alana, Pedro Hartung afirmou que decisões políticas tomadas  durante a pandemia tiveram forte impacto sobre as crianças. Como exemplo, ele citou que, no País, houve dez vezes mais mortes de bebês por Covid-19 do que nos Estados Unidos. Também ressaltou as mais de 12 mil crianças brasileiras que ficaram órfãs por causa da pandemia.

Mães
Outro ponto comentado por ele foi o agravamento da insegurança alimentar e da fome nas famílias, com sequelas no desenvolvimento infantil. Hartung acrescentou que é necessário pensar em quem cuida das crianças, em especial as mães, tema esse que também ficou prejudicado durante a pandemia.

“A gente sabe que o desemprego cresceu, principalmente entre mulheres. Além disso, houve a sobrecarga de tarefas domésticas para as mães que mantiveram seus empregos e puderam ficar em home office”, comentou. “Por isso que a gente tem de falar que cuidar de crianças no Brasil é cuidar especialmente de mulheres mães.”

Mais um ponto citado por Hartung foi a necessidade de se pensar no espaço em que vive a criança. Segundo ele, a crise ambiental é também uma crise de direitos da criança, especialmente na primeira infância.

Impacto financeiro
Oficial de desenvolvimento da primeira infância do Unicef, Maíra Souza contou que a entidade realizou, em parceria com o Ibope e o Instituto de Pesquisas Cananeia (Ipec), três rodadas de pesquisas sobre os impactos da pandemia sobre a infância. Entre os resultados, 63% da população entrevistada entre os que residem com crianças ou adolescentes de 0 a 17 anos tiveram decréscimo da renda familiar durante a crise sanitária; 6% mencionaram que deixaram de comer porque não havia dinheiro para comprar mais comida.

“A primeira infância é uma população imensa, de mais de 20,6 milhões de crianças, e nós já temos diversas evidências que mostram que a pandemia de Covid-19 teve repercussões a curto e longo prazo no bem-estar e no desenvolvimento das crianças desde a gestação”, declarou. “Elas são e foram as mais afetadas pelos impactos secundários, tanto pela interrupção dos serviços como na educação infantil, como na saúde materna, que acabaram colocando a vida das crianças em risco.”

Outro dado mencionado por Maíra é que cerca de 41% dos pais ou cuidadores notaram mudanças de comportamento das crianças de 0 a 6 anos que moram na sua casa em comparação com antes da pandemia.

Educação
Presidente da comissão externa, a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) salientou o impacto do fechamento das escolas.

“Entendemos perfeitamente que existe o medo da Covid, mas o direito à educação tem de ser respeitado. Graças a Deus, a vacinação vem avançando e tem de avançar cada vez mais, e estamos pressionando os governos para que todos os professores e os jovens tenham acesso à vacina”, disse. “O Brasil foi o campeão em escola fechada. A média mundial é de 20 semanas, aqui passamos de 70 semanas.”

Paula Belmonte também destacou que uma subcomissão, recém-criada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), vai analisar propostas que busquem aprimorar a garantia de direitos de crianças e adolescentes.

Reportagem – Paula Bittar
Edição – Marcelo Oliveira

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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